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"O Diabo mora nos detalhes"...


5 de setembro de 2009

CaLCiNHa De ReNdA VeRmelha FLaMeJanTe!




Estou só e carente!
Também, com um marido ausente mesmo quando presente, só preciso mesmo é que me sustente!
Sou mulher vaidosa e reconheço bem quente...
Quando meu corpo está a pedir por um macho atuante, sei que é a hora de tomar um bom banho quente, por o meu melhor perfume e só vestir aquela "calcinha de renda vermelha flamejante"!
Ponho-me a andar pelo ambiente de um jeitinho bem instigante!
A estratégia é sempre armada com a conivência de dois vizinhos que, aliás, nestes dias, ficam exultantes! Deixo a porta da sala entreaberta para o que mora na porta em frente e a cortina aberta, para o outro do prédio em frente; e ambos passam a me observar discretamente!
Ficamos os três brincando de indiferentes, eu cada vez mais provocante e confesso adorando aquele clima altamente excitante!
Percebo quando a respiração deles vai ficando ofegante e a língua passeando nervosamente pelos lábios a todo instante!
Finalmente chega o momento...
Sento-me à poltrona, localizada estrategicamente num ponto em que ambos me vêem perfeitamente!
Exibo mais os seios, aperto bem os mamilos e então começo a tirar a tal da "calcinha de renda vermelha flamejante", bem lentamente...
O nosso trato foi jamais fazermos sexo pessoalmente, mas sempre gozarmos às vistas um dos outros.
Após tudo terminado, sorrimos tacitamente e continuamos a levar as nossas mesmas carentes vidinhas de sempre!


Helô Müller

ELA Me FaZ TãO BeM




Conheço seu endereço, decorei seu nome em todos os idiomas e dialetos. Meu tesouro predileto, só você me faz assim, extrai o que de bom existe no meu coração. Se doa numa dança romântica e habita, sem hesitar, o lar que há em mim!...

gustavo drummond

4 de setembro de 2009

YoU'rE SO BeAuTiFuL





CaRíCiAs
Sinto o calor
de tuas carícias febris
arfando feito brasa
mãos maliciosas
fogo ligeiro a correr
despindo-me das vestes
dos pudores
Tua boca úmida
sorvendo minha pele
respirando meu corpo
em êxtase vestindo-me
com seus desejos
Sedenta
bebo do seu néctar
embriago-me de ti
sacio-me no cálice rubro
do seu prazer

Van Albuquerque

Publicado no Recanto das Letras em 30/08/2009
Código do texto: T1782639

1 de setembro de 2009

EnGaNoS Da PaiXão


É muito fácil mergulhar de cabeça numa paixão...
Difícil é aceitar algum acidente de percurso ou até mesmo o seu final!
Um simples desentendimento, algum impedimento, uma pequena discussão e mágoas eclodem, de parte a parte, até que um deles parte cheio de decisão!
Às vezes, bastaria apenas um tempo na situação, longe do afã da emoção...
Logo de cara vem mágoa, raiva e frustração!
Daí começa a confusão, pois mistura-se razão com emoção, despeito com dor no peito, coração ferido com orgulho desmedido, e por aí vai...
No fundo, o que não suportam mesmo é a sua própria solidão...
E sabem qual é normalmente a primeira reação?
Partem cheios de sedução e determinados a achar, na marra, outra paixão; ao invés de tentar se entender e analisar com isenção a sua real situação...
Do luto?! Que nada... nem querem saber não!!
Dão-se auto cura, juram que estão prontos pra se jogarem em outra relação, e tudo ainda tão vivo no peito, detonam como puro engano ou ilusão!
Saem assobiando com desdém e mentem pra si mesmos como ninguém!
Dizem que tudo já era, o outro não mais importa e fingem nem perceberem o vazio que se instaurou no coração!
No fundo, o que não suportam mesmo é a sua própria solidão...
Alegam que tudo fizeram e o outro só retribuiu com ingratidão...
Nem se dão conta que sem o outro, não conseguem ser um Eu total...
A nossa felicidade interior começa no amor próprio, na auto-estima e não somente num contrato de aluguel no coração!
O nosso melhor inquilino é a nossa auto-admiração!
Temos de nos gostar, nos aturar, nos amar, pra depois sim amar alguém; do contrário se fica é refém de outrem...
No fundo, confundem o estar solitário por opção com o buraco negro de sua solidão...
Nem se dão conta também do estrago que possam ter causado em outro alguém, que lá estava quieto no seu canto, e quando se deu conta, já estava preso, tal qual um inseto, nas teias da sedução!
O tempo passa, a raiva cede, a saudade bate, o casal reata, avivam a paixão; sem sequer se importarem com o locatário temporário que sem querer fez foi papel de otário...
E ao contrário do que pensam, continuarão sem se dar conta do vazio de sua própria solidão...
E de ilusão em ilusão nunca saberão quem realmente são...


Helo Muller